Quanta verdade numa frase. Quanta desilusão numa confissão, que imagino tenha sido até despretenciosa. Desabafo. Cansaço, exaustão. Construir ilusões é muito bom. Ruim é quando passamos a fazê-lo repetidamente, colocando nossas fantasias nas mãos de pessoas diferentes porque nada durou e nosso peito foi estilhaçado.
Trágica a idéia de que alguém pudesse nos salvar de nós mesmos, como se nosso amor só existisse se fosse para alguém. Demolir fantasias dói, dá a luz à fantasmas e mágoas, deixa um gosto esquisito e metálico no peito. Seco, triste. As rotinas que vêm com a sensação de uma eterna ausência. Logo para você que se acostumou com um beijo, logo para você que sabia poder esperar um sorriso. Exaurida de dar nome e rosto para meu desejo, cansada de dizer para o coração que quem sabe dessa vez vai. E não ir. Também não quero mais me encantar com ninguém. Não quero esperar que entendam a simplicidade que quero. Alguém para não fazer joguinhos, alguém que queira estar comigo e eu com ele.
Demolindo fantasias e vendo aquela pessoa que um dia olhamos fundo nos olhos, que um dia adoramos ter visto dormir, ir embora. E às vezes nem ir para tão longe assim, mas parar nos braços ou nas graças de outro bem perto de você.
Na cabeça de quem fica, de quem tem que desconstruir a ilusão, o outro caso é sempre um caso perfeito. Noites perdidas. Pesadelo. Fica a sensação de que quem foi guardou o melhor dele pra quem veio depois. Que fomos nada, porque hoje somos nada. Apenas algo a ser arquivado, ou nem isso.
Talvez eu não queira mais me encantar com ninguém. Pode ser que lá no fundo exista uma eterna vontade de se encantar – vício de quem vive - mas que seja se encantar por alguém que valha a pena, que entenda, que esteja no mesmo momento. Por agora, que fique decretado que não quero me encantar com ninguém. Melhor assim. Deixemos a construção de uma fantasia para quando a última não for nem mais uma lembrança. Continuarei demolindo todas as minhas ilusões...
Tristemente, eu não sei me entregar aos poucos. Ou me jogo de cabeça ou apenas administro a vantagem, com carinho e cuidado, tocando a bola pro lado sem estragar corações. Minha sina é amar demais, já dizia Claufe Rodrigues. Não sei amar pouco, não sei ir devagar com minhas ilusões. Me afobo, erro, abro a guarda. ;~
Era assim pelo menos que eu era quando me encantava. Até ontem. Mas só que dói demais isso de deixar sonhos para trás. Dói demais não ver o que se pensou futuro nunca acontecer. O planeta dos ressentidos nunca foi tão populoso. Caio Fernando estava certo, e meu coração não tem resistência para isso. Eu não suporto mais. Por isso, não quero mais me encantar ;x'
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